“Democratização, Liberdade e Tecnologia Digital”. Este foi o nome da mesa organizada pelo Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS) da UFES, que aconteceu na manhã do dia 26 de outubro, dando continuidade à programação do FOCO 2006 – IV Fórum de Comunicação. Os palestrantes foram Anderson Goulart, programador e desenvolvedor de softwares livres, formado em Ciência da Computação na UFMG, e Flávio Gonçalves, jornalista formado pela UFES e integrante do Intervozes, Coletivo Brasil de Comunicação.

O tema do painel, segundo Bruna Gatti, estudante de jornalismo e integrante do CACOS, surgiu a partir da necessidade de se discutir a questão do movimento de software livre e inclusão digital aliado à democratização da comunicação. Ela ressaltou ainda que a escolha foi feita a partir das polêmicas geradas no curso após a mudança de sistema operacional do laboratório de computadores, de Windows para Linux, causando grande controvérsia entre os estudantes.

Anderson Goulart, que trabalha com Flávio Gonçalves no Programa de Inclusão Digital do Governo Federal, Casa Brasil, explicou a diferença entre softwares proprietários e softwares livres (SL); “No software proprietário não temos acesso ao código fonte, e sem ele, não podemos fazer atualizações ou modificações nos programas, não serve de nada”. Para ele, “as vantagens do software livre estão justamente aí. Além de poder usar o programa para qualquer propósito, os SL ainda permitem que os programas sejam estudados, e dessa forma, melhorados e adaptados.”

Goulart ressaltou também a questão da livre distribuição de cópias, que permite que a disseminação dos programas e, consequente, aperfeiçoamento. Além de salientar a questão da segurança, “não há brechas para espionagem, porque o conhecimento já é compartilhado”. Como é feito por muitas pessoas, garante uma maior estabilidade e qualidade técnica.

Global, como Goulart é conhecido na rede de desenvolvedores de softwares, menciou ainda o fato de que em 2004 o Governo Federal deixou de gastar 400 milhões de reais que seriam pagos em licença para uso de patente, ao adotar softwares livres.

Além disso, Flávio Gonçalves lembro que “Bill Gates, que é o cara mais rico do mundo, mas não vende um produto, vende uma licença de um conhecimento”. Para ele a lógica do software livre tem a ver com a construção de uma nova sociedade. A idéia do conhecimento ser privado é inconcebível, “ainda mais quando estamos vivendo na chamada Sociedade de Informação”.

Por fim, Gonçalves mencionou que acredita que a inclusão digital, o movimento do software livre e a democratização da comunicação estão intrinsecamente ligados. “Pela internet temos acesso a muitas informações que não são veiculadas na grande mídia, mas essa estrutura tem que ser disponibilizada, é uma questão estrutural”.

Dicas dos palestrantes:

www.studiolivre.org
www.softwarelivre.org

Texto: Lara Abib
Edição: Ariani Parpaiola e Lívia Cunha

Deixe uma resposta